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Written By Cate

Catarina Correia.

Catarina Correia.

Written By Cate

07
Dez17

Comboios.


Catarina Correia

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Comboios. Aquelas coisas manhosas que fazem muito barulho e que são um atraso de vida, mas não para mim, não na realidade.

Não vou dizer que cresci no meio de comboios e que estes são a minha maior paixão – até porque estaria a mentir. Cresci perto deles e junto de quem lida com eles muito diariamente. Ganhei-lhes um carinho especial e por muito que reclame deles, acabam sempre a ser uma grande fonte de inspiração.

Escrevo pequenas histórias, vou escrevendo… E, por muito estranho que possa parecer, é somente aqui sentada num destes bancos manhosos que a inspiração acaba por aparecer após várias tentativas falhadas de a ver dar sinais de vida.

Desde cartas com todo um conteúdo emocional a crónicas com a minha mais simples opinião, de tudo eu escrevo por aqui. Só preciso de entrar, correr todo o comboio até chegar a um dos seus extremos e sentar-me num cantinho escondido, mas com uma janela para me permitir admirar a paisagem e observar cada pormenor.

Uns minutos depois, já as palavras deslizam como se fossem a mais fácil das minhas tarefas, como se este meio de transporte fosse o meu tudo quando nada é a única coisa que consigo escrever. E eu sinto-me bem aqui. Reclamo, reclamo muito. Digo mal da minha vida quando me vejo enfiada num comboio durante 4 horas seguidas. Ainda pior digo quando vejo o tempo a passar e o atraso a aumentar. Mas eu sinto-me bem aqui. Aqui eu reparo no mais estúpido dos pormenores e faço valer a tão famosa dica de Saramago… “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.”

Dou por mim a questionar o porquê daquele caixote do lixo estar ali e qual o motivo para aquela mulher loira se estar a rir para o telemóvel. Dou por mim a sorrir perante os mais sinceros dos abraços e as mais emocionantes das despedidas a cada partida sobre carris.

 E no fim disto tudo dou por mim a escrever... Escrevo a história da mulher loira, descrevo as despedidas dos mais chorosos e permaneço a sorrir perante cada abraço sentido.

E ainda mais no fim disto tudo? Ainda mais no fim disto tudo eu dou por mim a chegar a casa e a abraçar aqueles que tanta falta me fizeram no decorrer da semana. Dou por mim a voltar ao início e a reclamar pela quantidade de horas que irei passar no interior deste transporte num dos dias que se sucede ao dia de hoje.

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