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Written By Cate

Catarina Correia.

Catarina Correia.

Written By Cate

18
Jan18

Dear 25-years-old me #2


Catarina Correia

(carta escrita a 14 de dezembro de 2017)

Dear 25-years-old me,

Perguntaram-me o que esperava de mim, de ti e de nós para o futuro que se avizinhava e que, agora, é o nosso passado. Existe sempre aquele receio ou aquela incerteza de dar uma resposta, ainda para mais quando temos noção de que não nos é, de todo, fácil aceitar ou encarar julgamentos vindos de outrem.

O tempo passou e tudo aquilo que nos acompanhava foi passando de igual modo. Nem tudo permaneceu e eu sei que, apesar de tudo, tu agradeces que assim tenha sido. No entanto, e para mal dos nossos pecados, sempre fomos pessoa de se afeiçoar a tudo e a todos, sempre fomos adeptas da rotina e sofredoras afincas quando algo mudava ou deixava de estar ali.

As mudanças custaram, ainda custam, mas quero que as encares como algo bom, algo próprio. Desde cedo que as mudanças se tornaram parte do nosso dia a dia e aposto que, tal como dantes, apenas lamentas aquelas que nem te deram tempo para raciocinar, aquelas que, de tão bruscas que foram, ainda hoje te fazem questionar o tão típico “e se?”.

O relógio marcava as 15 horas e 38 minutos. O calendário apontava um 14 de dezembro de 2017 e a localização caracterizava-se por ser um tanto incerta, algures entre Ermesinde e Paredes numa das muitas viagens que te levavam até casa. Decidi fazer uma surpresa aos pais. Eles achavam que só voltaria a casa no dia 21, mas as saudades apertaram e a vontade de regressar aos braços deles já eram mais do que muitas.

Voltando ao principal motivo desta carta… Eu esperava, espero, e continuarei a esperar de nós somente aquilo que o tempo nos trouxer. Os sonhos são muitos, a perda deles ainda mais. Mas existe aquele sonho, aquele objetivo e aquela motivação que desde pequenina permanece em nós.

Londres. Oh Londres!

Posso falar de muita coisa, mas, neste momento, é-me impossível falar do futuro que, ao leres, será o teu presente. Não sei onde estás, mas espero que estejas bem. Não sei onde estiveste, mas… espero que tenhas estado lá. Espero que tenhas conseguido o que sempre ansiámos. Espero que tenhas pisado solo inglês e que tenhas corrido a cidade dos teus sonhos de uma ponta à outra. Espero que tenhas ficado, não por muito tempo uma vez que o amor pela Cidade Invicta acaba sempre a falar mais alto, mas espero que tenhas ficado o suficiente para te sentires realizada.

Nem só de viagens se fez o nosso percurso e, acima disso, espero que tenha permanecido a paixão pela escrita e pelos livros. Espero que o desejo tenha levado a melhor e que, ao ler esta carta, estejamos a sorrir e com a lágrima no canto do olho por termos conseguido levar as nossas palavras à boca do mundo e por estarmos orgulhosas de todas as quedas, papéis amachucados e ficheiros eliminados, que fizeram parte do nosso caminho e que hoje te possam ter colocado onde estás.

Quanto ao tão famoso curso de Gestão e Planeamento em Turismo, aquele que tanto te fez pensar e repensar em tudo o que tomavas como certo… Não sei se o acabaste, se lhe ganhaste gosto ou se fugiste dele como o diabo foge da cruz. No entanto, espero que tenhas seguido o teu coração e que tenhas conseguido fazer tudo aquilo a que te propuseste.

Espero que ainda mantenhas o teu blogue e que o tenhas elevado a um nível superior, mais sério e mais teu. Espero, acima de tudo, que estejas bem e feliz. Seja em Londres, no Porto ou em parte incerta. Seja a escrever, a gerir ou a fazer de tudo um pouco. Seja sozinha, com este, ou com aquele, mas que seja. Que sejamos.

Com amor,

Your 18-years-old you,

Catarina!