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Written By Cate

Catarina Correia.

Catarina Correia.

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17
Nov17

Falo da Universidade...


Catarina Correia

É engraçado como todos nós, jovens, ansiamos por aquele momento em que ganhamos asas para voar. Aquele momento em que se fazem as malas e se parte em busca da construção dos nossos sonhos. 

Falo da Universidade e de tudo o que a si vem aliado. Falo da mudança de cidade, de hábitos e de muitas outras coisas. Falo da alegria de se ter entrado no curso das nossas vidas - ou talvez não. Falo de tudo isso e de muito mais.

Menina das letras, apaixonada por livros e pelos mais variados idiomas... Menina um tanto tímida e com uma pequena capacidade de se deixar levar pelo momento... Menina que não encara os próximos anos como sendo os melhores da sua vida... Eu!

Lembro-me de, até aos meus 12 anos, viver junto à Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Lembro-me de sorrir de cada vez que os trajados - ou pinguins, como ousava apelidá-los - passavam por mim. Lembro-me de dizer que queria ser como eles e estudar no mesmo estabelecimento que eles. Mal sabia eu tudo o que ainda estava por vir.

Desde o Ensino à Psicologia, passando pelo Direito, pela História e por tantas outras áreas, mas nunca (mesmo nunca) esquecendo as letras e o poder que as palavras sempre possuíram sobre mim. Cheguei ao 10º ano e ingressei pela área das Línguas e Humanidades. Rondei o Direito e o Jornalismo, ganhei certezas nas Línguas, Literaturas e Culturas e ponderei o Turismo, sempre crente de que não haveria de entrar neste último.

Mas o destino trocou-me as voltas e hoje,17 de novembro de 2017, encontro-me a meio do primeiro semestre do curso de Gestão e Planeamento em Turismo na Universidade de Aveiro.

Se estou feliz por estar aqui? Não, de todo que não!

Então porque é que continuo aqui? Talvez por burrice, talvez por teimosia ou por receio.

Mas comecemos pelo início...

Na minha lista de candidatura estavam presentes: Ciências da Comunicação, FLUP; Línguas, Literaturas e Culturas, FLUP; Turismo, UA; Línguas, Literaturas e Culturas, UA; Recursos Humanos, ISCAP; Línguas e Literaturas Europeias, UMinho.

Eu sabia que não entrava na primeira opção, tinha esperanças de entrar na segunda e, caso isso não acontecesse, acreditava que passaria diretamente para a quarta opção. Cheguei a querer falhar as três primeiras e entrar em Recursos Humanos. Quis tanto e tenho tão pouco daquilo que queria. 

Os resultados seriam anunciados a partir da meia noite, mas às 22 horas (duas horas antes do suposto) já eu tinha o resultado nas mãos e um mar de lágrimas a rolar pela minha face. Deixei-me ficar pelas ondas da choradeira até às tantas da madrugada. Choradeira essa que se prolongou fim-de-semana adentro, acalmou por meia dúzia de horas e regressou aquando do dia em que vim conhecer o local por onde iria ficar. Chorei tanto e admito que ainda choro!

Ponderei não me matricular na primeira fase e deixar que fosse a segunda a ditar o meu futuro. Mas todos me diziam para tentar ver no que dava. E eu tentei, ainda tento. 

As inscrições para a segunda fase abriram e eu, ainda que matriculada, submeti candidatura com duas únicas opções - LLC, na FLUP e na UA - mas tudo me dizia para ficar e eu acabei a anular a minha candidatura. Arrependi-me assim que bateu a meia noite e as candidaturas se deram por encerradas. Arrependi-me mais um pouco após os resultados terem sido divulgados e eu me aperceber que teria entrado no curso que eu queria, onde eu queria, caso tivesse permanecido firme na minha decisão. Hoje, arrependo-me ainda mais.

Não consigo habituar-me a isto, não consigo sentir-me bem aqui. Eu tento, mas eu não consigo. 

Não é que eu não goste da área, até porque eu gosto e tenho intenções de acabar a trabalhar no ramo do turismo. Só não queria que fosse desta forma, com este percurso.

Eu queria começar por aquilo que me faz realmente feliz e terminar na dita área da família. Queria começar por mim e deixar aquilo que os outros esperavam de mim para segundo plano. Mas o plano saiu furado e eu aqui ando, vou andando...

Ainda não ousei dizê-lo aos meus pais, mas concorrer no próximo ano é algo que me ocorre todos os dias, assim como desistir. Mas entre desistir ou recuar um ano, eu prefiro e dou muito mais valor à segunda hipótese.

Em suma, a verdade é que eu ansiei por este momento, sim! Só não encontro as minhas expectativas a serem superadas e não encaro os próximos anos como os melhores da minha vida - não se continuar por aqui. No entanto, e como muitos insistem em dizer, eu sou só uma miúda de 18 anos sem saber o que é a vida e o que dela quero. E o que hoje eu afirmo, amanhã irei negar e todos eles irão estar cá para me ver falhar. 

 

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