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Written By Cate

Catarina Correia.

Catarina Correia.

Written By Cate

03
Abr18

#1. 20 Factos Sobre Mim


Catarina Correia

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Novo mês, novo desafio e, quem sabe, um novo rumo para o blog!

 

Fui dar uma voltinha pelas minhas redes sociais e vi algumas publicações de pessoas a (quase) gritarem aos sete ventos uns quantos factos sobre elas mesmas. Ora, como de idiota eu não tenho nada, e de imaginação ainda tenho menos, decidi juntar este pequeno desafio de vos dar a conhecer 20 factos sobre mim, ao grande desafio deste mês de Abril.

 

 

E aqui estou eu, com 20 factos sobre mim...

 

1. Para quem nunca leu um único post meu, acho pertinente dizer que tenho 18 anos.

2. Sou a rainha da teimosia, e não tenho problemas em admitir.

3. Não gosto de locais com muitas pessoas. 

4. O meu filme favorito é 'O Pianista'.

5. Nunca experimentei drogas, mas não digo que nunca irei experimentar.

6. Converso muito comigo mesma. Até demais, para ser sincera.

7. Não gosto de comer sozinha, já me chegou quando era mais nova.

8. Sou uma pessoa muito indecisa.Tão indecisa que, na altura da candidatura à faculdade, fiz, desfiz e refiz a minha candidatura umas 5 vezes na mesma noite.

9. Tenho 5 (meios) irmãos. 3 rapazes e 2 raparigas.

10. Não consigo passar um dia sem colocar uns fones nos ouvidos e ouvir, pelo menos, uma música.

11. Tenho medo do escuro. Muito medo!

12. Sou muito desorganizada, e disto ninguém duvida!

13. Este é o meu quinto blog. 

14. Sou apaixonada pela língua inglesa.

15. Não gosto de espanhóis, acham-se um tanto ou quanto superiores aos portugueses e isso eu não suporto.

16. Tenho uma memória terrível no que a coisas do dia-a-dia diz respeito.

17. Durante muito tempo a minha cor favorita foi o azul. 

18. Não gosto do meu primeiro nome. Não é feio, mas é muito comum. Há tantas Ana's por aí.

19. Quero  (MUITO) publicar um livro.

20. Não gosto de ver migalhas no chão. Nem gosto, nem suporto. Faz-me uma confusão enorme.

08
Mar18

Nascemos Meninas


Catarina Correia

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Relacionado com os protestos femininos por melhores condições de trabalho e tantos anos depois, o dia 8 de março continua, acima de tudo, a ser um dia de luta, um dia para a igualdade! Não queremos, com este dia, que nos ofereçam os nossos chocolates favoritos, o ramo mais bonito da florista do bairro ou o jantar naquele restaurante espetacular na baixa da cidade. Queremos muito e muito mais! Queremos reflexão, inconformismo e rebeldia. Queremos protestos e queremos o fim desta luta pela desigualdade de género. Queremos vencer e fazer ver ao mundo que nós queremos e nós podemos.

 

É essencial que o Dia da Mulher exista enquanto houver pessoas que apoiam a desigualdade salarial entre géneros, que acham que as mulheres não sabem conduzir, não sabem liderar e que acham que as mulheres só servem para ser mães e limpar a casa. É essencial que o Dia da Mulher exista enquanto houver pessoas a não saber como celebrá-lo. Celebrar este dia é celebrar a igualdade e é dizer "não" ao preconceito e aos estereótipos de género. É ainda essencial que o Dia da Mulher exista, assim como é essencial que existam tantos outros dias, enquanto houver pessoas com dificuldades em aceitar diferenças e respeitar o próximo.

 

Celebrar o Dia da Mulher é pensar fora da caixa, é deixar os estereótipos de parte e fazer singrar a igualdade e a liberdade.

 

Mas porque é que o certo é as meninas usarem rosa e os meninos usarem azul? Porque é que o meu lugar deve ser na cozinha e o deles no poder? Porque é que não é correto eu brincar com carros, rasgar as calças, andar descalça e jogar à bola com os meninos? Porque é que ninguém espera que eu seja capaz de construir uma casa ou um negócio? Porque é que ninguém espera que eu me consiga tornar na melhor jogadora de futebol ou na melhor piloto de motocross do mundo? Porque é que não me permitem ter um salário igual ao dele se o trabalho que ambos desempenhamos é exatamente o mesmo? Porque é que me dizem que sou inferior e incapaz? Porquê?

 

Mas porque é que me permitem crescer num ambiente tão condescendente como este? Não é disto que eu preciso. Não é isto que eu quero e não foi para isto que eu nasci! Nós, MULHERES, nascemos para ser independentes e sair à rua para gritar aos sete ventos que nós somos o que nós quisermos ser sem que nos digam o que é que seria, ou não, o mais correto! Nascemos para questionar e contrariar tudo aquilo que nos é apresentado como certo, e para destruir os estereótipos que tentam atrapalhar o nosso percurso até ao topo. Nascemos para ter liberdade e para dar voz ao mundo. Nascemos para ser meninas que um dia se tornarão mulheres. Nascemos para ser respeitadas e para vencer nesta selva que é a vida, mas nunca para ser inferiores a outrem!

06
Mar18

Nós não "Somos Todos Síria"


Catarina Correia

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Num mundo em que se paga para procurar água em Marte e se ignora a sua verdadeira necessidade em Terra, eu pergunto-me se é mesmo aqui que eu quero viver. Num mundo em que são as crianças quem toma a iniciativa de proteger os outros e em que são os adultos a colocá-las em perigo e de mãos dadas com o fim, eu pergunto-me se é mesmo assim que deve ser.

 

E não! Eu não vim escrever sobre o que não sei ou sobre o que eu não vi. Eu vim escrever sobre quem precisa de mim e sobre quem, provavelmente, nunca chegará a ter-me por perto.

 

Escrevo sobre a Síria, assim como poderia escrever sobre qualquer outro país. Escrevo sobre o futuro que insistem em destruir e sobre as crianças que já não estão mais aqui. Escrevo por mim e por todos aqueles a quem não permitiram viver um pouquinho mais. 

 

E é triste, muito triste. É triste acordar e olhar para a imagem de uma criança que já não é mais inocente.

 

Quando deveríamos ver adultos a cuidar das suas crianças, vemos crianças a cuidar das suas bonecas. Quando deveríamos ver uma criança a ser protegida, vemos uma criança a proteger a sua boneca da monstruosidade em que se encontra. Vemos uma criança perante a guerra e o seu fim a poucos metros. Vemos uma criança a olhar o céu e a morte a olhá-la a ela. E eu não consigo. Eu não consigo olhar e não falar. Não consigo olhar e não desejar estar ali para a salvar. E não entendo quem consegue.

 

E não me venham dizer que não depende de mim, que não depende de nós. Não me venham dizer que os seus caminhos já estavam escritos e que Deus sabe o que faz. Não me venham com falinhas mansas nem com histórias da carochinha. 

 

Depende de mim, sim! Depende de todos nós e de tudo aquilo que poderíamos fazer mas que não fazemos por sermos demasiadamente egoístas e por acreditarmos, em demasia, no bom senso de quem manda por nós. E os caminhos deles não estavam escritos, fomos nós quem os escreveu, fomos nós quem os condenou. E esse Deus de que tanto falam, esse Deus que sabe o que faz... Esse Deus existe mesmo ou é só mais uma das nossas necessidades? Uma daquelas necessidades que temos em acreditar que existe alguém a olhar por nós, a cuidar de nós e a fazer por nós aquilo que nem sequer pensamos em fazer?

 

Num mundo em que se matam crianças e em que a prioridade passa por realçar quem tem mais poder, num mundo em que não temos dinheiro para salvar o nosso futuro mas em que temos dinheiro para gastar em Marte, num mundo assim não é Deus quem existe. É o diabo, somos nós! Só nós.

 

Num mundo em que a operação de Neymar nos comove e a guerra nos passa ao lado, num mundo em que as barbaridades de Donald Trump são levadas a peito e o desespero de crianças inocentes nos faz rir à gargalhada, num mundo assim eu não quero estar. Num mundo assim eu prefiro não estar.

 

E eu não sei quem o disse, mas sei que o disse assim: "Se Paris merece um minuto de silêncio, a Síria merece que o mundo inteiro se cale para sempre." E, a quem o disse, eu só tenho a dizer que não concordo. Se Paris merece um minuto de silêncio, a Síria merece que o mundo inteiro grite para sempre. A Síria merece barulho. Merece um ruído ensurdecedor, um grito constante. A Síria merece ter voz, merece ter vida. E não é com silêncio que 'a coisa vai lá'. Não é com posts no facebook, nem com prémios para a melhor fotografia num cenário de terror. Não é com nada disso e nem é com nada disto que há-de ser.

 

E a quem se lembrou de dizer que "Somos todos Síria", eu só peço que não o diga. Não enganemos os outros. Não tentemos incutir neles algo que não está incutido em nenhum de nós. Nós não 'Somos todos Síria', nós não queremos ser todos Síria. Nós queremos a mudança, nós queremos a justiça, nós queremos alhos e bugalhos mas não queremos correr para ter. Não queremos ter trabalho. Não queremos sair do nosso sofá para ajudar quem nem um sorriso tem. Nós só queremos que os outros pensem que nos importamos, só queremos viver de aparências e de tudo aquilo que é correto dizer. 

 

E porquê o uso da palavra "nós" quando nem todos somos iguais? Ora, porque desde pequena que me ensinam que somos apenas um. E se um o é, todos nós o somos.

 

E porquê ser algo mau quando existem tantos lados bons? Ora, porque o bom nós só pensamos e o mau executamos.

 

E porquê que eu reclamo, quando poderia estar a fazer algo mais para mudar? Ora, porque eu acredito nas palavras. Eu acredito que as palavras mudam mais mentes do que as armas. Acredito que, com palavras, eu consigo chegar a todos. E depois de chegar a todos, eu acredito que vamos conseguir deixar as palavras e vamos sair à rua para os defender, para os salvar e, para aí sim, sermos todos um!