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Written By Cate

Catarina Correia.

Catarina Correia.

Written By Cate

29
Jan18

Falta de Existência


Catarina Correia

Óbito ou falecimento; cessação completa da vida, da existência. Extinção; falta de existência ou ausência definitiva de alguma coisa.

 

É a morte?! Eu não sei! Eles dizem que sim e ainda são capazes de arranjar mil e uma formas de o dizer e outras mil e uma desculpas para não o ter dito na altura certa.

 

Altura certa? Será que existe uma "altura certa" quando o tema passa pela ausência permanente de um alguém? 

 

Eu não sei se sou só eu a pensar isto, mas... Não há altura certa e muito menos há uma forma mais suave de o dizer. Não há falinhas mansas capazes de amenizar a dor de perder alguém, não há hora certa para que a felicidade não seja substituida pela tristeza de um adeus. Não há! Assim como também não há frase capaz de nos fazer acreditar que tinha mesmo de ser assim.

 

E aquela típica repreensão aquando de um choro sentido? Aquela repreensão vinda de quem não aceita o facto de sermos todos diferentes, o facto de todos termos o nosso próprio jeito de sentir e de viver os acontecimentos. 

 

Eu sou a pessoa que chora. A pessoa que imagina todos os cenários possíveis, caso as coisas não tivessem sido assim. A pessoa que começa por uma lágrima e acaba nuns olhos inchados, numa cara encharcada e numa dor de cabeça enorme, mas nunca superior à dor de ter perdido alguém. Sou a pessoa que não quer sentir ninguém por perto, mas que também não quer ficar sozinha. A pessoa que se fecha dentro de quatro paredes, com tudo escuro e com uns fones nos ouvidos. 

 

Também sou a pessoa que não aguenta o peso de um adeus. A pessoa que se aflige com o sofrimento estampado na cara dos outros e com os choros que se sobrepõem. A pessoa que odeia despedidas e que não gosta de aceitar que aquela foi a última vez. Chego a ser a pessoa que recusa aquela última vez e que, embora presente, faz por não deixar o olhar cair sobre quem já não irá estar mais ali.

 

Eu sou a pessoa que hoje se arrepende de não se ter despedido. A pessoa que tinha tanto para dizer e que deixou tanto por ser dito. Somos todos, não é assim?

 

Todos queríamos ter feito mais, ter dito mais e, quem sabe, ter amado mais. Todos nos arrependemos de não o ter feito. E ainda que nos atinja de modo diferente, todos sofremos. Todos temos um adeus para dizer e uma lágrima para derramar. Todos temos aquela pessoa que nos foi tanto, mas que já não é mais entre nós. Todos temos e todos somos.

 

Mas todos temos que continuar. Todos temos vidas para fazer valer e memórias para recordar. Todos temos aquela pessoa a quem queremos mostrar que nos ajudou enquanto cá esteve.

 

Todos temos. Eu tenho.

 

Eu tenho o meu avô. E numa única semana eu descobri que ele estava doente, que tinha poucos dias de vida e como se não fosse suficiente, acabei a descobrir que ele não havia conseguido vencer a sua última batalha. Descobri que estava doente através das redes sociais e, por muito que eu finja que não me incomoda, nunca irei perdoar aqueles que sabiam desde o início e nunca foram capazes de me dizer. Aqueles que deixaram a situação rolar, deixaram os dias passar e que acabaram a negar-me o direito de saber como ele estava. Planeei ir vê-lo. Eu queria despedir-me e dizer-lhe tudo aquilo que não me foi permitido dizer durante seis anos de afastamento. Queria olhá-lo nos olhos e relembrá-lo do carinho que eu tenho por ele. Queria que sentisse que, embora distante, eu nunca me havia esquecido dele. Das suas brincadeiras, das coisas que me ensinou, dos passeios em que me levou e de tantas outras coisas. E a verdade é que a viagem que planeei realizar para o ir ver, acabou por ser feita. Só não foi pelo motivo que eu queria que fosse e muito menos foi com as oportunidades que eu esperava encontrar para me despedir.

 

Eu fui tarde de mais. Eu não me despedi e não deixei que ele se despedisse de mim. Não deixei que ele soubesse tudo o que eu tinha para lhe contar. Desde a pessoa em que me tornei, às conquistas que alcancei. Não deixei que ele ficasse orgulhoso por ter conseguido incutir em mim a paixão pelas letras, pela leitura e pela escrita. Não deixei que sentisse orgulho por me ver lançar o meu blogue e por me ver publicar dois artigos num jornal regional. Eu não deixei, mas eles também não me deixaram!

 

Mas não serei caso único. Nenhum de nós o é. Até porque ela bate à porta de todos nós e, para podermos continuar, teremos sempre que aceitar.

 

 

 

 

28
Jan18

Foi bom voltar a casa!


Catarina Correia

Sue's Makeover Fest.jpg

 

Recordando o post que fiz no dia 16 do presente mês - Dos erros de 2017 aos objetivos de 2018 - aproveito para citar um dos meus objetivos para este ano que já leva 28 dias na bagagem. No meio de muitos "espero que" e "gostava de", eu realcei a vontade que tinha de "dar um saltinho pelos locais que fizeram parte da minha infância e que me viram crescer", e a verdade é que eu consegui!

 

Eu voltei a "casa"! 

 

Após tantas vezes a dizer que queria mas que não conseguia, eu posso finalmente dizer que consegui. E a verdade é que eu consegui no hora certa. 

 

Ainda que, com uma enorme quantidade de receio a acompanhar, eu fui capaz de regressar à rua que me viu crescer e aos locais que fizeram parte da minha rotina. Fui capaz de deixar para trás os momentos menos bons e de enfrentar o medo que tinha de reviver tudo de novo.

 

Foi bom voltar a casa. Foi duro, mas foi bom.

 

 

Fez-me crescer um pouquinho mais, fez-me aprender a aceitar e fez-me querer chegar mais longe do que chegaria caso nunca tivesse saído dali. Foi bom, mas foi bem melhor perceber que Home Is Where Your Heart Is. E o meu coração está espalhado por todos os que me fizeram ser mais e melhor. Está dividido por todos os que me permitiram crescer assim, feliz. 

 

E com isto eu não quero dizer que aquela já não é a minha casa. Com isto eu tenciono dar a perceber que, acima de um local, de uma cidade e de um passado, estão e sempre irão estar aqueles que foram aparecendo e que me fizeram acreditar que eu poderia ser mais, que eu poderia ser melhor e que poderia ultrapassar e relativizar todas aquelas situações que, em tempos, me fizeram chorar.

 

 

Com isto eu quero dizer que... Eu voltei a casa, mas não foi em casa que eu me senti.

27
Jan18

A lavar a roupa suja!


Catarina Correia

lavaroupa.jpg

 

Nem é que seja muito pertinente ou interessante, mas apeteceu-me partilhar esta minha atividade matinal. Ainda menos pertinente ou interessante é o facto de, por acaso, eu me encontrar no mais apropriado local para fazer “disto”. Ora pois é, eu estou na lavandaria e vim lavar a roupa suja.

 

Optei por deixar as verdades, as desculpas e todas aquelas frases que me ficaram na garganta lá por casa e decidi trazer, somente, aquelas calças amachucadas, as camisolas já usadas e outras peças mais íntimas que não me apetece estar a descrever. Não vim cá para insultar ninguém nem nada que se pareça, vim só mesmo para lavar a dita da roupa suja.

 

E peço desculpa se vos desiludi. Sei bem o quanto nós, bons portugueses que somos, gostamos de uma boa lavagem de roupa, misturada com aqueles detergentes nocivos que espalhamos a torto e a direito pelas ruelas de Portugal. Com um especial destaque para o Norte, é claro, onde se vê de tudo um pouco. Não fosse eu, por mero acaso, uma típica portuense, à qual só faltavam as pipocas, e que desde cedo se habituou ao espetáculo que vai nas ruas e que tantos palavrões contém.

 

Mas nem só de roupa suja se fala por aqui...

 

Lembram-se daquele textinho maravilhoso que eu fiz há uns dias atrás? Aposto que não! Aposto que, ou têm uma memória tão má ou pior do que a minha, ou nem sequer chegaram a ler o texto. But no worries, eu não vos julgo. Só peço que deem uma espreitadela e depois regressem para ficarem mais dentro do assunto. (Dos erros de 2017 aos objetivos de 2018)

 

Agora que já se fizeram espertos, ou mais atrasados para as coisas que tinham planeado fazer visto que vos roubei um pouco de tempo com a minha estupidez, podemos prosseguir!

 

É dito e sabido que eu entrei no curso errado! E eu juro que a culpa não foi minha! Talvez só um pouquinho, ok? Mas só mesmo um pouquinho! Também é dito e mais que sabido que o meu objetivo era saltar fora e correr feita maluca atrás dos meus sonhos, ou lá como isso se chama. Mas desistir de um curso para voltar a concorrer não era uma decisão somente da minha autoria e ainda menos era algo que agradasse aos restantes autores da final decision.

 

 

Após tantas vezes a dizer que Gestão e Planeamento em Turismo não era o meu curso, após aquelas notas miseráveis de matemática I a comprovar a minha falta de habilidade para os números e após tantas outras coisas, a decisão foi tomada. Foi tomada e bem tomada, devo dizer.

 

Não vou dizer que já ando aqui aos pulos por ter desistido do curso, até porque não ando. Eu queria muito entrar na Universidade e saber que estava a um passo de ser bem-sucedida – ou um fracasso total, dado o desemprego que por aí anda. O que eu não queria era entrar naquele curso, mas também não queria desistir – embora dissesse o contrário milhares de vezes.

 

Desistir era para os fracos, dizia eu. Desistir era para quem não sabia o que queria fazer da vida. Talvez eu pensasse assim, por ter sido criada com a palavra desistir longe das minhas opções, e eu até agradeço por isso. É sempre bom que não nos deixem desistir de tudo, à mínima dificuldade.

 

A verdade é que eu também já desisti de algumas coisas e não queria estar a juntar o curso à minha lista de desistências. No entanto, quando tem que ser, tem que ser. E era este o caso. Tinha que ser!

 

E tendo que ser, eu fui percebendo que desistir não era assim tão mau. Eu não iria deixar de ter objetivos, não iria deixar de querer estudar e não iria deixar de ser a rapariga que se esforçou para chegar até aqui. Eu iria ser só mais uma. Mais uma no meio de outros tantos universitários que, após muito ou pouco tempo, perceberam que estavam no caminho errado para os seus sonhos ou para tudo aquilo que tencionavam atingir.

 

Desta vez… Desta vez eu espero não voltar a pisar a linha errada. Espero chegar a setembro e conseguir entrar com o pé direito na universidade - visto que em 2017 eu entrei a pés juntos e logo a seguir me esbardalhei no meio do chão, ou no meio do DEGEIT (é como preferirem).

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